Vida remota e aprendizagem numa nova era conectada

Por Hans Dummer

Vida remota e aprendizagem numa nova era conectada

Não há dúvida de que os nossos ambientes de trabalho e aprendizagem são irreconhecíveis em relação aos de apenas alguns meses atrás. A mudança é inevitável, mas a velocidade à qual fomos sujeitos a esta mudança é única. Há três anos, realizámos um extenso projeto de investigação para melhor compreender as mudanças esperadas no âmbito de trabalho e educação. Claro que, nessa altura, as nossas circunstâncias eram diferentes e as previsões feitas pelos especialistas pareciam distantes.

Naquela época, trabalhar e aprender remotamente através de colaboração virtual eram tendências positivas, ainda a boa parte de uma década de distância e uma oportunidade a ser lançada por uma geração pronta para enfrentá-la. Acontece que somos nós essa geração. E, na maioria das vezes, fazemos com que funcione.

As lacunas de conhecimento, assinaladas na nossa investigação como ameaças às tendências de trabalho futuras, foram fechadas por necessidade.  E para aqueles de nós com filhos, testemunhámos uma rápida mudança para a aprendizagem em casa, com aulas remotas e a capacidade de estabelecer uma conexão às mesmas à velocidade da luz.

Então, o que podem ainda essas previsões anteriores dizer-nos e como podemos aprender com elas?  Relembrando o nosso antigo relatório, destacam-se algumas coisas:

Requalifique a sua força de trabalho; estão prontos para isso

Por altura da nossa investigação, a maioria das pessoas com quem falámos esperava que a tecnologia revolucionasse as suas indústrias nos próximos dez anos. Embora a mudança de trabalho e aprendizagem de hoje tenha acontecido rapidamente, não é totalmente inesperada, e o trabalho e a aprendizagem remotos são algo para o qual muitas organizações e os seus funcionários se têm vindo a preparar. Setenta e um por cento da força de trabalho europeia com quem falámos expressaram positividade em relação à evolução da tecnologia e estavam prontos para intervir na mudança tecnológica.

No entanto, isto vem com uma advertência. O nosso estudo demonstrou também, até mesmo naquela época, que grande parte da força de trabalho e líderes se sentiam sobrecarregados e, em certa medida, ameaçados pelas novas tecnologias. Seria prudente reconhecê-lo agora na sequência de uma rápida confiança depositada nas novas tecnologias, e considerar como garantimos que as nossas equipas se tornam confiantes na utilização e em terem sucesso através de soluções remotas.

No entanto, isto vem com uma advertência. O nosso estudo demonstrou também, até mesmo naquela época, que grande parte da força de trabalho e líderes se sentiam sobrecarregados e, em certa medida, ameaçados pelas novas tecnologias. Seria prudente reconhecê-lo agora na sequência de uma rápida confiança depositada nas novas tecnologias, e considerar como garantimos que as nossas equipas se tornam confiantes na utilização e em terem sucesso através de soluções remotas.

Colaboração; manter as pessoas ativas e envolvidas

Embora o trabalho e a aprendizagem remotos totais tenham sido realizados quase da noite para o dia, em maior ou menor grau, já se esperava que isso acontecesse. Durante o nosso estudo, 71% dos envolvidos previram que futuras salas de reuniões seriam totalmente virtuais com funcionários sediados em espaços de trabalho em todo o mundo usando tecnologia para aderir a grupos de trabalho em tempo real. De igual modo, de acordo com o nosso painel de especialistas e futuristas, já era esperado que a sala de aula de amanhã parecesse totalmente diferente das que conhecemos.

A convicção era que já estávamos a avançar para uma era de colaboração e meta-aprendizagem remotas (estar ciente e assumir o controlo da nossa própria aprendizagem).  Tal como no trabalho, a educação está dependente de relações e de interação. Sem qualquer surpresa, 74% daqueles com quem falámos alertaram que nenhuma aplicação virtual alguma vez substituirá conexões cara a cara para o desenvolvimento de relações – um facto a que precisamos de estar atentos hoje.

Claro que não definimos a situação devido ao desejo e que o tempo permitido para possibilitá-la fez com que tivéssemos que confiar nas ferramentas disponíveis atualmente. Mas existem soluções que tanto as empresas como os educadores podem aproveitar ao longo do tempo. A utilização de tecnologias, plataformas e produtos colaborativos irá ajudar a fornecer conteúdos educacionais mais dinâmicos e irá incentivar um aumento do envolvimento de pares, retenção de conhecimento e um maior sentido de contributo.

Manter a motivação

A motivação em tempos de mudança é sempre difícil e, portanto, devemos esperar que a motivação dos funcionários, alunos e professores seja afetada.  Mesmo enquanto possibilidade abstrata, as pessoas com quem falámos sobre essa mudança expressaram preocupação sobre uma dependência mais significativa de tecnologias remotas, com 68% a recearem que as pessoas se sentissem menos empenhadas para com a empresa à medida que o local de trabalho se tornasse mais remoto, menos orientado para a equipa e mais impessoal.  Esta é uma ameaça que educadores e empresas inteligentes devem abordar.

Na Epson, introduzimos um programa denominado “Dez semanas de formação”. Isto serve não só para apoiar os funcionários que trabalham remotamente com conselhos práticos e informações sobre bem-estar, mas também para nos ajudar a lembrar-nos da empresa para a qual trabalhamos, os produtos que concebemos e desenvolvemos, e o seu lugar na sociedade em geral. Estas sessões de formação reúnem centenas de colegas de cada vez, reforçando os objetivos e os recursos da empresa, e envolvendo e entusiasmando as nossas equipas.

Outros grupos informais também se desenvolveram, formando uma sessão social e “pubs virtuais”. Estes grupos ajudaram as pessoas a sentirem-se menos isoladas e relembram-lhes que fazem parte de uma equipa valorizada. Tenho a certeza de que outras empresas e grupos de educação estão a fazer o mesmo – tanto a nível formal como informal.

Em última instância, a forma como as empresas, educadores e estudantes enfrentam estes novos desafios definirá os vencedores e os perdedores.  E como Clive Hickman, Diretor Executivo do Manufacturing Technology Centre, disse na nossa investigação: “Não é a tecnologia em si, mas a forma como utilizamos a tecnologia, que fará a diferença.”